O Rico Arrependido – André Luiz Gadelha

O RICO ARREPENDIDO

– Não dá, Allan. Você não pretender crescer. Desculpe-me, mas não quero isso para mim.

Essas foram as últimas palavras de Catarina ao, agora, ex namorado Allan.

Allan, então com 26 anos, não pretendia sair da casa dos pais. Não era má pessoa, porem não tinha grandes planos para a sua existência.

Durante a sua vida escolar, se não fosse a intensa e incansável presença dos pais, Allan não terminaria, nem mesmo, os estudos básicos. Com muito esforço, obteve o diploma de ensino médio, em colégio de poucas cobranças. Negou-se a fazer um curso técnico e, muito menos, um de nível superior.

Com a lida no trabalho, Allan era disciplinado e dedicado, mas negava qualquer chance de crescimento, sempre dedicando-se aos labores mais simples, ainda que tivesse condições de aproveitar chances melhores.

– Do jeito que está, está bom. Mais? Para quê? Já ganho meu dinheirinho e pronto. – argumentava Allan.

Mas, nem sempre foi assim.

Voltando em pouco mais de uma centena de anos no tempo, vamos encontrar Ernesto.

Ao lado do pai, aprendeu, desde cedo, a lidar com a terra, fonte do sustento de toda a família.

Com o tempo, sempre ao lado do pai, as negociações com o café foram se desenvolvendo, levando a simples casa do início a uma enorme e belíssima fazenda.

Mais tarde, quando as forças somáticas do genitor se esgotaram, Ernesto assume o império já existente.

Em nome de perpetuar o conforto da família e de honrar o esforço do pai, Ernesto faz os ganhos crescerem.

Driblou crises, fechou grandes negociações, inclusive com o estrangeiro e chegou a se tornar um dos maiores fornecedores de produtos agrícolas do governo, até que chegou a sua vez de ter as forças exauridas.

No mundo espiritual, Ernesto conheceu, por um bom tempo, somente, a dor.

Testemunhou a briga entre os parentes sedentos pela fortuna deixada. Nem, sequer, esperou-se o corpo esfriar, havendo o início das contendas gananciosas antes do 7º dia.

Dos filhos, nenhum se interessou por continuar o seu trabalho, que foi deixado em mãos de desonesto administrador.

As gastanças dos parentes somadas às ações de desvio administrativo culminaram na total lapidação da fortuna, deixando a família em necessidades.

Tudo isso fez com que Ernesto, na pátria espiritual, experimentasse fortes dissabores, permanecendo, por anos, mergulhado no fel da mágoa.

– Para quê tanto trabalho? Para quê juntar riquezas? Para isso? – Indagava Ernesto de forma melancólica.

Um dia, entregando-se em prece sincera, Ernesto rogou por auxílio, pois estava cansado de sofrimento. Foi, então, socorrido e levado à colônia onde recebeu auxílio, reequilíbrio e orientação.

Lá trabalhou, sendo útil aos propósitos do Alto, até que lhe foi dada a oportunidade de voltar à Terra, em novo corpo, para fazer diferente do que fez no passado.

Foi quando reencarnou como Allan, ainda tão marcado pelos traumas do passado a ponto de não pretender crescer.

Que Jesus continue nos abençoando.

Rio de Janeiro, 16 de Fevereiro de 2017

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