A ponte de Luz

A PONTE DE LUZ

Pelo Espírito Maria Dolores. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: A Vida Conta. Lição nº 08. Página 34.

Terminara Jesus a prédica no monte.

Nisso, o apóstolo Pedro se aproxima

E diz-lhe: – Senhor, existe alguma ponte

Que nos conduza ao Alto, ao Céu que brilha muito acima?

Conforme ouvi de tua própria voz,

Sei que o Reino do Amor está dentro de nós…

Mas deve haver, no Além, o País da Beleza,

Mais sublime que o Sol, em fulgor e grandeza…

Onde essa ligação, Senhor, esse divino acesso?

Jesus silenciou, como entrando em recesso

Da palavra de luz que lhe fluía a jorro…

Circunvagou o olhar pelas pedras do morro

E, depois de comprida reflexão,

Falou ao companheiro: – Ouve, Simão,

Em verdade, essa ponte que imaginas

Existe para a Vida Soberana,

Mas temos de atingi-la por estrada

Que não é bem a antiga estrada humana.

– Como será, Senhor, esse caminho?

Tornou Simão a perguntar.

E Jesus respondeu sem hesitar:

– Coração que a escolha, às vezes, vai sozinho,

E quase que não tem

Senão renúncia e dor, solidão e amargura…

E conquanto pratique e viva a lei do bem,

Sofre o assédio do mal que o vergasta e procura

Reduzi-lo à penúria e ao desfalecimento.

Quem busca nesta vida transitória,

Essa ponte de luz para a eterna vitória

Conhecerá, de perto, o sofrimento

E há de saber amar aos próprios inimigos,

Não contará percalços nem perigos

Para servir aos semelhantes,

Viverá para o bem a todos os instantes

E mesmo quando o mal pareça o vencedor,

Confiando-se a Deus, doará mais amor…

E ainda que a morte, Pedro, se lhe imponha,

Na injustiça ferindo-lhe a vergonha,

Aceitará pedradas sem ferir,

Desculpará injúria e humilhação

Se deseja elevar o coração

À ponte para o Reino do Porvir…

Alguns dias depois, o Cristo flagelado,

Entregue à própria sorte

Encontrava na cruz o impacto da morte,

Silencioso, sozinho, desprezado…

Terminada que foi a gritaria

Da multidão feroz naquele dia,

Ante o Céu anunciando aguaceiro violento,

Pedro foi ao Calvário, aflito e atento,

Envergando disfarce…

Queria ver o Mestre, aproximou-se

Para sentir-lhe o extremo desconforto…

Simão chorou ao ver o Amigo morto.

E ao fitá-lo, magoado, longamente

Ele ouviu, de repente,

Uma voz a falar-lhe das Alturas:

– Pedro, segue, não temas, crê somente!…

Recorda os pensamentos teus e meus…

Esta cruz que me arrasa e me flagela

É a ponte que sonhavas, alta e bela,

Para o Reino de Deus.

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