A Lesbica Homofobica – André Luiz Gadelha

A LÉSBICA HOMOFÓBICA

Tânia Maria, ainda que mulher, tinha a sexualidade voltada aos gostos masculinos. Trata-se de uma irmã muito bem resolvida com o seu lesbianismo. Mas, nem sempre foi assim.

Tânia, desde a sua infância, mostrava-se inclinada aos hábitos dos meninos. Filha de pais isentos de preconceitos e gozadores de um conforto financeiro que a permitiu estudar em instituições de alto gabarito, jamais preferiu as bonecas, sempre preferindo os carrinhos e soldados.

Ao entrar na puberdade, quando os hormônios passam a circular na corrente sanguínea do corpo somático, a mente da nossa irmã se torna palco de um forte conflito.

Era clara a sua predileção pelas mulheres, porem não concordava com isso: “- Não pode ser assim. Homem tem gostar de mulher. Mulher tem que gostar de homem. Eu tenho que gostar de homem, mas não consigo.” – Repreendia-se Tânia.

Acontece que Tânia Maria, em encarnação pretérita, atendia pelo nome de Lucas Guilherme, frequentador assíduo das casas de tolerância na cidade em que residia.

Ele viveu intensamente as suas experiências de homem, não estabelecendo laços emocionais com ninguém.

As profissionais das casas que o recebiam caíam em euforia com a sua presença, dado o fato de ser carinhoso e intenso amante. Muitas nem sequer desejam cobrar-lhe pelos serviços, pois eram elas que sentiam atendidas por ele.

Matrimônio? Nem pensar! Para quê?

Porem, a necessidade de se atender as exigências da sociedade de então fizeram com que Lucas sucumbisse às ameaças de seu pai: “- Se não casar-se, Lucas, eu te deserdo. Deixo-te sem tostão algum!” – Bradava o seu genitor.

Assim, Lucas casou-se, como parte integrante dos negócios do pai.

Não conhecia a sua prometida futura esposa. Mas, era menina de lindas feições, despertando as suas paixões.

“ – Tenho a certeza de que não queríamos um ao outro. Mas, já que estamos aqui…” – Argumentou Lucas na lua de mel.

O seu desempenho nas núpcias foi tal que a esposa passou-lhe a ter adoração. Ela sabia tudo a respeito da vida boêmia do marido, incluindo as relações fora do casamento. Mas, os carinhos e os prazeres de alcova eram tamanhos que todos os deslizes eram esquecidos.

Lucas Guilherme também era homofóbico.

A sua aversão pelos irmãos de sexualidade avessa a sua era tamanha que ele dedicava parte das horas da sua existência em perseguir e agredir. Até ao assassinato ele se dedicou.

Enfim, chega a data do desencarne e Lucas leva consigo o vício pelo sexo com mulheres e o ódio aos homossexuais. No mundo espiritual, continuou a alimentar as suas paixões, ladeando-se a espíritos dedicados ao sexo desregrado e manteve a mesma perseguição que manteve quando na carne.

Inúteis foram as tentativas de orientação e esclarecimento, levando os irmãos superiores a concluírem que Lucas teria que perceber, sozinho, que precisava se libertar desses dois distúrbios.

Mas, por serem distúrbios intensos, era imperativo que a evolução acontecesse de vez em vez. Seria o próprio Lucas que decidiria o que erradicar primeiro.

Assim sendo, Lucas reencarnaria em corpo feminino, trazendo as mesmas idéias homofóbicas que seriam amenizadas pela ação dos pais, exemplares educadores.

Desta forma, Tânia não mais agredia, a não ser a si mesma com o seu tormento, até que a saudade pelas vivências sexuais de outrora falou mais alto.

Desde então, Tânia resolveu se aceitar com a sexualidade que vociferava em seu íntimo. Porém, para se aceitar, precisou banir o homofobismo da sua mente. Assim, o fez.

Tânia seguiu a sua vida com tranquilidade.

Fez faculdade, onde, também, construiu a sua vida profissional dedicada à pesquisa científica.

Dessa vez, não casou-se, podendo dedicar-se, por completo, a uma existência sem laços afetivos.

Um relacionamento aqui. Outro ali. Mais outro acolá. Mas, em todos, a mesma intensidade do Lucas Guilherme.

De diferente, só a dedicação ao combate à homofobia.

Se assim não fosse, travaria combate contra si mesma.

Que jesus continue nos abençoando

Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2016.

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