REGRESSO DE SIMÃO PEDRO

REGRESSO DE SIMÃO PEDRO

Pelo Espírito Maria Dolores. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Alma e Vida. Lição nº 01. Página 11.

Simão Pedro desperta, além da vida humana.

Retoma, pouco a pouco, as forças da memória

Terminara, por fim, a luta insana

Do flagelo por grande pesadelo

Recorda a cruz do fim, levantada ao avesso,

Que aceitara na Terra por vitória…

Sabe que está no Além, pensando em recomeço

Do próprio apostolado…

Onde estaria o Mestre Sempre Amado?

E os outros companheiros

De ânimo nobre e forte,

Que o haviam no mundo, precedido,

Sob a perseguição sem pausa e sem sentido,

Ao encontro da morte…

A brisa da manhã suave e cristalina

Trazia-lhe perfume ao leito novo e alvo…

Indagara Simão: “Que surpresa teria?”.

Tocou o próprio corpo, achou-se são e salvo

E chorava, enlevado, em suprema alegria…

Alguns instantes mais e ouviu, enternecidamente,

Cânticos de louvor e saudação;

Alguém surgiu à porta, de repente,

Envolto em doce luz

A doar-lhe conforto e proteção…

Pedro entendeu quem era a bradou-lhe: “Jesus!”.

Erguendo-se, em seguida,

Leve e ágil, gritou: “Ave, Senhor da Vida!…”.

Cristo abeirou-se dele, a enlaçá-lo sorrindo,

Depois vieram outros companheiros,

Instrutores, amigos, mensageiros,

Do júbilo fazendo o festival mais lindo…

Pedro enxergou, feliz, os vergéis exteriores…

Eram jardins imensos,

Recheados de flores…

Em profunda euforia,

O ditoso Simão

Tomou a si a mão

Que Jesus lhe estendia

E disse, quase em pranto:

– Senhor; estou cansado,

Não mais me distancies de teu lado.

Trago comigo a dor

Dos que moram no mundo,

Aquele imenso caos, cada vez mais profundo,

De penúria, fadiga e sofrimento.

Não desejo perder as luzes que hoje alcanço,

Permite-me, Senhor ficar contigo,

Neste celeste abrigo.

Necessito de paz, de socorro e descanso…

Ao mundo de onde venho,

Pelas tribulações padecidas no lenho,

Não mais quero voltar.

Desejo aqui viver contigo, neste lar…

Mas Jesus apontou-lhe o imenso espaço à frente

E falou-lhe a sorrir:

– Fica, Simão, se estás contente.

Estes sítios são teus,

Tanto quanto de todos os irmãos

Que serviram, na Terra, à bondade de Deus…

Cristo fez pausa e, logo após,

Explicou: “Quanto a mim,

Não posso repousar;

A construção do bem é o meu lugar.

Ouve, Simão!… Enquanto

Houver na Terra um só gemido

Numa gota de pranto,

Enquanto houver no mundo um coração caído,

Devo esforçar-me por permanecer

No trabalho do amor que é meu dever.

Mas, descansa, Simão!… Ver-nos-emos depois,

Nunca houve distância entre nós dois…

Afastou-se Jesus,

Entretanto, Simão fitando o Excelso Amigo,

Bradou sem vacilar:

– Senhor, eu vou contigo!…

No passo firme do Divino Mestre,

Ambos se retiraram das Alturas,

Buscando a direção das faixas obscuras

Da vastidão terrestre…

Na retaguarda, em paz, ficou a multidão

De almas angelicais, numa doce canção,

Cujo estribilho recordava

Esta expressão de luz dos hinos galileus:

– Louvado seja o amor!… Bendito seja Deus!…

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