DERRUBAR E EDIFICAR

Derrubar e Edificar

 

(Tempo de derrubar, e tempo de edificar. Eclesiastes; 3-3)

 

Chega o momento em nossas vidas em que as coisas essencialmente materiais, por si só, deixa-nos de ter sentido. De uma maneira geral, entramos em processos de questionamentos íntimos e, sem saber por qual motivo, nos colocamos na posição de críticos, alguns com depleção psíquica. Procuramos psicólogos, psicanalistas e psiquiatras, pois neles julgamos estar a solução de nossos problemas. Leda ilusão. Não satisfeitos, adentram as mais diversas casas cristãs procurando soluções externas, para problemas de jaezes internos. Eis que nos chafurdamos, novamente, posto que os outros, alhures suas funções de orientadores, têm problemas tão ou mais graves que os nossos, na via errática da ilusão.

 

Quando adentramos pela porta da exaustão nas casas cristãs, se abertas ao diálogo, ainda podemos respirar. Entretanto, não obstante a imprescindibilidade do evangelho, muitos de nós somos famintos de pensamentos sadios, tendo em nossa mente clichês, tralhas emocionais que temos que nos desvencilhar. Ora, ninguém recebe luz se estiver vinculado a mantos de culpas do passado. É o mesmo que se dar uma comida pesada a quem está em dieta forçada do essencial, no caso, o autoamor. Em primeiro momento ouviremos atentos às predicas, mas, com o tempo, a mente doentia age como defensora de nossas iniquidades. Absorver a luz dói e, se tivermos dúvidas reportemo-nos aos tomos tanto laicos quanto religiosos, às dores dos mártires cristãos, dos judeus do holocausto e nossas próprias misérias e traições íntimas. Oferecer o evangelho como letra mágica e miraculosa para mentes que não querem sair de suas casas fortes egoísticas, é como lançar pérolas a porcos.(“Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem. Mateus 7:6”).

 

Recuperar o ser pressupõe que possamos destruir antes, para reconstruir depois. Aqui devemos lembrar que aqueles que nos procuram estão, na maioria, como frangalhos humanos. E não falamos do externo, como já dito, mas do interno. Somos de opinião que o evangelho, que ainda nós é uma novidade, é uma das posologias para a implosão do ser, com posterior recriação. O evangelho é ambrosia divina, mas, em mentes destrambelhadas, nada renova. Vemos, com consternação, cristãos se recusarem a procurar profissionais da área de saúde sob o pretexto de que Deus ou seus representantes (esqueçamos rótulos) vão curá-los. Deus não cura, provê ao ser condições antrópicas para se curar de vez que, se assim não fora, profissionais da área saúde seriam dispensáveis, pois nossos anjos tutelares estariam materializados ao nosso lado falhando em sua missão, e nós estaríamos relegando ao segundo plano A Lei do Progresso e Lei do Livre-arbítrio que nos cabe seguir…

 

Entendamos que quem acolhe (psicólogos, psicanalistas e médicos) são, se assim podemos nos expressar, profissionais tanto de implosões, quanto de reconstruções sob controle, engenheiros das almas. Sem eles, de nada adianta as ações dos irmãos das agremiações religiosas. A fome íntima é calcinante, bem o sabemos. Mas fome alimentar é inenarrável. Aos que tiverem dúvidas, tentem assistir ao um culto com fome. Ninguém consegue absorver o pão de evangelho. Deus não criou diversas atividades laboriosas por capricho, pois se assim fora, todos teríamos todas as formações acadêmicas, algo distante dos mundos de expiações e provas.

 

Nossos profissionais das diversas áreas do saber são nossas joias na vida. Desprezar o auxílio dos mesmos em nome de Deus é crime de lesa-Pai, e se disso sobrevier a morte, é autocídio. Por outro lado, a implosão-reconstrução demanda de nós ação positiva, sair de nossa preguiça locupletante de nossa fé, correr “pés-de-léguas”  da autopiedade e orgulho ferido.

 

Assim, nós temos momentos de derrubar, e de edificar. Estes, não são somente cortesias divinas, mas obrigações nossas. Ninguém há que não tenha problemas. Assim permaneçamos em paz, na certeza de que os recursos estarão sempre ao nosso dispor, cabendo-nos ter a coragem de adentrarmos nos arcanos divinos, à guisa de plantarmos em nós a paz e a consciência hígida para nós e, para todos aqueles que nos cercam no aprendizado de cada dia.

 

Lembre-se de que o mal não merece comentário em tempo algum. (André Luiz, Nas conversações, Capítulo 9, Agenda Cristã, Psicografia de Chico Xavier.)

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