O suicídio e a Loucura

O suicídio e a loucura

Os malefícios da ociosidade, da falta de fé e da saciedade.

 •  Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante

“O desgosto da vida nasce da ociosidade, da falta de fé e, frequentemente, da saciedade.” (O Livro dos Espíritos, questão 943, Editora IDE, 164ª Edição)

O insigne Bezerra de Menezes, na obra A Loucura Sob Novo Prisma, traz o que ele denomina de Loucura Cerebral e Loucura Psíquica. Esta última nasce de quadros obsessivos e representa “a perturbação na transmissão do pensamento”; a primeira se origina da desarmonia espiritual e orgânica que danifica o órgão lesionado, dificultando assim a expressão mental do ser.
O Livro dos Espíritos, nas questões 943 a 957, faz questão de determinar esta diferença mesmo não usando a terminologia de Bezerra, sempre trazendo o termo “suicídio voluntário” ou “suicídio involuntário”, tanto que na questão 944-a, afirma-se que “o louco que se mata não sabe o que faz”. A grande maioria dos que buscam o suicídio, entretanto, tem por base “o desgosto da vida que nasce da ociosidade, da falta de fé e, frequentemente, da saciedade”.
Da ociosidade, pois quando não temos o que fazer, permitimo-nos deixar envolver por pensamentos que normalmente tem o cunho de tristeza, de revolta e de autopiedade.
Da falta de fé, porque colocamos o nosso ponto de vista na vida presente acreditando que os males são eternos, mas eles só serão eternos enquanto acreditarmos que eles existem. Quando temos fé, acreditamos que existe uma força superior que nos governa a todos, permitindo que cada um de nós tenha a justa medida do necessário para evoluir. Divisamos com o olhar espiritual o futuro que nos espera e que dependerá somente de nós chegar mais rápido ou demorar mais para alcançar o objetivo. Tudo segue um encadeamento lógico e não somos dados jogados ao acaso. O meu futuro eu projeto e modifico agora, dependendo das minhas atitudes e decisões tomadas. Sou herdeiro de mim mesmo.
Da saciedade. Quando estamos entediados por acreditar que já temos tudo, ficamos acomodados. Esquecemo-nos da Lei do Trabalho que nos convoca a sermos ativos, não sendo necessária a remuneração material para a sensação de bem-estar. E quando somamos à saciedade a doutrina materialista, vemos criaturas buscarem nos alucinógenos sensações novas, já que as antigas não lhes completam mais.
Não podemos alegar os desgostos da vida como razão para o suicídio. Pois todos os possuímos. O que precisamos é treinar psicologicamente para ver, não somente olhar as coisas boas que a vida nos oferece, e ocuparmo-nos com coisas úteis, porque, com raras exceções, nenhum sofrimento dura toda uma encarnação e mesmo aqueles que estão acometidos de males cruciantes e que acreditam que muito em breve terão a vida ceifada, não devem buscar no suicídio uma forma de eliminar a dor. Agindo assim, criarão dois problemas: aquela situação que provoca dor, se tiver ainda necessidade de reajuste, retornará com ela e a certeza que violou as Leis Divinas.
Existem aqueles que alegam ser o suicídio decorrente da vergonha de ter cometido um ato errado, ou um meio de poupar a vergonha que a família possa vir a ter pelo erro que cometeu. O Livro dos Espíritos nos diz que antes fique para assumir as consequências de seus erros. Assumir o erro já é o começo da reabilitação e quem garante que após o desencarne a verdade não venha à tona e a família não passe pela mesma situação de vergonha pelo erro cometido, somando-se a isso a saudade do que partiu?
Outros acreditam que suicidando-se encontrarão mais rápido a felicidade (a prometida para os eleitos) ou estarão mais cedo entre os seus que já desencarnaram. Ledo engano. Fazendo isso retardarão tal felicidade ou tal reencontro. As Leis Divinas não permitem que o agressor – pois o suicida é um agressor de si mesmo – tenha como prêmio o mesmo que aqueles que enfrentam os desaires da encarnação com galhardia.
Diferente daqueles que se põem em risco por alguém ou por um grupo (questão 951). Isto sim é sublime, mas há sempre que se avaliar se não seria mais útil ficar vivo do que fazer esse sacrifício. É aquela mãe espírita que mesmo sabendo que pode fazer uso da prática do aborto em virtude de estar correndo risco de vida, não o faz, acreditando na divindade e colocando a própria vida e a vida do filho nas mãos do Criador. A medicina evoluiu muito, mas os profissionais também erram. Existe também a misericórdia divina que nos abarca a todos indistintamente. Mas sempre é uma escolha difícil a ser feita e por isto afirmamos que é sublime.
Encontramos em O Livro dos Espíritos o suicídio moral (952), que é aquele decorrente do abuso das paixões, quando a pessoa se torna presa delas e acabam por configurar-se verdadeiras necessidades físicas, abreviando o tempo de encarnação. Segundo os insignes mestres da humanidade é uma prova de falta de coragem e sinal de animalidade da criatura.
Questão 957: “Quais são, em geral, as consequências do suicídio sobre o estado do espírito? As consequências do suicídio são muito diversas: não há penas fixadas e, em todos os casos, são sempre relativas às causas que provocaram. Mas uma consequência a qual não pode fugir é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos: depende das circunstâncias. Alguns expiam a sua falta imediatamente, outros em uma nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam”.
Agora, existem consequências que são mais ou menos comuns decorrentes do suicídio. Por exemplo: a sensação de perturbação decorrente do rompimento abrupto do cordão fluídico que liga o corpo ao perispírito, por isso que alguns acreditam ainda estarem encarnados e padecendo dos males que viviam. Mesmo assim, esse não é um estado geral. O que é certo é que aquele que comete tal ato terá que se reajustar com as Leis em virtude da sua falta de coragem perante a vida.

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