Aflições do mundo atual

É preciso nascer novamente; muitas e muitas vezes.

 •  Octávio Caúmo Serrano

 

Nas reuniões de estudo na nossa casa espírita, é comum argumentarmos que nossas encarnações já somam centenas e até milhares de experiências, o que às vezes é contestado por alguns, por mais que demonstremos como caminhamos a passos de tartaruga em se tratando de evolução espiritual.
Como apenas afirmar não adianta e geralmente não convence as pessoas, podemos recorrer ao Evangelho de Jesus e também às orientações e afirmativas do Espiritismo, seja com argumentações da espiritualidade superior seja pelas lições do próprio codificador, o missionário e organizador da doutrina, Allan Kardec.
Quando lemos, por exemplo, na epístola de Tiago sobre a língua, temos estas afirmações:
“(…) todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo. Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.
“Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.
“Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.
“Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.
“Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.” (Tiago, 3:1-10)
Alguém vê diferença da situação descrita por Tiago há cerca de vinte séculos para os nossos dias? Se considerarmos uma encarnação média a cada trinta anos de desencarnado – estudos já definem este tempo para a atualidade – e setenta de vida humana, ou seja, um renascimento a cada 100 anos, só de Jesus para cá já voltamos cerca de vinte vezes. E somos praticamente a mesma humanidade no sentido moral, apesar de tanto desenvolvimento intelectual e tecnológico.
Tiago é um mero exemplo porque não vamos analisar neste pequeno texto todo o Evangelho; nem mesmo as 21 epístolas do Novo Testamento.
Todavia, se visitarmos o capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, deparamo-nos com as explicações sobre uma das Bem-Aventuranças – Bem-Aventurados os Aflitos – que, como todas as outras, enfatiza a necessidade do sofrimento do homem para conquistar as compensações divinas. Sem sofrimento não crescemos? Por enquanto, não; falta-nos conscientização, infelizmente.
No texto, após dar o enunciado clássico dos evangelistas Mateus e Lucas, Allan Kardec nos explica a Justiça das Aflições e mostra as razões das nossas dificuldades, como consequência das nossas próprias atitudes.
Divide os sofrimentos entre os provocados na atual encarnação (causas atuais das aflições) e aqueles arquivados no nosso ser, provocados em vidas passadas (causas anteriores das aflições), que demandam reparações. Dívidas do passado contra nós mesmos. Manchas de caráter que precisamos extirpar para termos a consciência tranquila,
Ao ler atentamente sobre as causas atuais, veremos que as razões das aflições humanas estão na incompetência que demonstramos como pais, nas uniões matrimoniais produto de interesses sem que o amor se faça presente, e na fraqueza que demonstramos contra os desafios da vida.
Quantos, afirma Kardec, deveriam perguntar a si mesmos se não se arrependem de certos atos que geraram dores atuais e que eles gostariam de nunca ter praticado. Por isso, completa ele, o homem é quase sempre o próprio autor dos seus sofrimentos. Se analisarmos hoje, veremos isso nos gastos exagerados, razão de muitas aflições. Cartões de crédito, pagamento de altos juros, manter uma posição social que o salário não comporta ou dar aos filhos regalias desproporcionais às suas condições econômicas.
Os que causam prejuízos à sociedade são punidos pelos poderes públicos; mas os que causam prejuízo ao próprio indivíduo criam dívidas que ele próprio terá de resgatar; agora ou em nova encarnação. E mesmo sendo diferentes os valores, os recursos e as situações antigas e as modernas, o comportamento dos homens é absolutamente o mesmo. Invigilância, imprevidência e as consequências não passam de alertas a serem observados para que os erros não se repitam.
Se em cada encarnação nos livrássemos de um vício ou de um defeito, a encarnação seria proveitosa. Mas, ao contrário, não só não nos livramos das imperfeições do passado, mas ainda acumulamos mais desajustes que nos custam dolorosas reparações.
Se não regredimos e, portanto, nunca fomos melhores do que somos hoje, e ainda somos essa criatura cheia de falhas, é natural imaginar que já vivemos e erramos muito e muito mais ainda teremos de viver. Hoje somos praticantes de uma religião e já temos alguma sensibilidade com a dor do próximo. Se ainda assim o progresso é pequeno, fácil imaginar como éramos no nosso tempo de bárbaros!
Leiam, atentamente, o capítulo V do ESE, principalmente nas explicações quanto às aflições humanas e digam se não temos razão ao afirmar que além de milhares de vidas que já tivemos na Terra ou em outros mundos, milhares de outras ainda teremos pela frente. Sem querer ser pessimistas, se a estrada da evolução tem um quilômetro de comprimento podemos nos orgulhar de já ter caminhado um centímetro. E muito ainda teremos que lutar. Não para ser como Jesus, mas para, quem sabe, nos assemelharmos a Chico Xavier!

 

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