Louvores Recusados

LOUVORES RECUSADOS

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Contos e Apólogos.  Lição nº 13. Página 61.

Conta-se no plano espiritual que Vicente de Paulo oficiava num templo aristocrático da França, em cerimônia de grande gala, à frente de ricos senhores coloniais, capitães do mar, guerreiros condecorados, políticos ociosos e avarentos sórdidos, quando, a certa altura da solenidade, se verificou à frente do altar inesperado louvor público.

Velho corsário abeirou-se da sagrada mesa eucarística e bradou, contrito:

– Senhor, agradeço-te os navios preciosos que colocaste em meu roteiro. Meus negócios estão prósperos, graças a ti, que me designaste boa presa. Não permitas, ó Senhor, que teu servo fiel se perca de miséria. Dar-te-ei valiosos dízimos. Erguerei uma nova igreja em tua honra e tomo os presentes por testemunhas de meu voto espontâneo.

Outro devoto adiantou-se e falou em voz alta:

– Senhor, minhalma freme de júbilo pela herança que enviaste à minha casa pela morte de meu avô que, em outro tempo, te serviu gloriosamente no campo de batalha. Agora podemos, enfim, descansar sob a tua proteção, olvidando o trabalho e a fadiga.

Seja louvado o teu nome para sempre.

Um cavalheiro maduro, exibindo o rosto caprichosamente enrugado, agradeceu:

– Mestre Divino, trago-te a minha gratidão ardente pela vitória na demanda provincial. Eu sabia que a tua bondade não me desprezaria. Graças ao teu poder, minhas terras foram dilatadas. Construirei por isso um santuário em tua memória bendita, para comemorar o triunfo que me conferiste por justiça.

Adornada senhora tomou posição e exclamou:

– Divino Salvador, meus campos da colônia distante, com o teu auxílio, estão agora produzindo satisfatoriamente. Agradeço os negros sadios e submissos que me mandaste e, em sinal de minha sincera contrição, cederei à tua igreja boa parte dos meus rendimentos.

Um homem antigo, de uniforme agaloado, acercou-se do altar e clamou estentórico:

– A ti, Mestre da Infinita Bondade, o meu regozijo pelas gratificações com que fui quinhoado. Os meus latifúndios procedem de tua bênção. É verdade que para preservá-los sustentei a luta e alguns miseráveis foram mortos, mas quem senão tu mesmo colocaria a força em minhas mãos para a defesa indispensável? Doravante, não precisarei cogitar do futuro… De minha poltrona calma, farei orações fervorosas, fugindo ao imundo intercâmbio com os pecadores. Para retribuir-te, ó Eterno Redentor, farei edificar, no burgo onde a minha fortuna domina, um templo digno de tua invocação, recordando-te os sacrifícios na cruz! Os agradecimentos continuavam, quando Vicente de Paulo, assombrado, reparou que a imagem do Nazareno adquiria vida e movimento…

Extático, viu-se à frente do próprio Senhor, que desceu do altar florido, em pranto.

O abnegado sacerdote observou que Jesus se afastava a passo rápido; contudo, em se sentindo junto dele, em se, sentindo e perguntou-lhe, igualmente em lágrimas:

– Senhor, por que te afastas de nós?

O Celeste Amigo ergueu para o clérigo a face melancólica e explicou:

– Vicente de Paulo, sinto-me envergonhado de receber o louvor dos poderosos que desprezam os fracos, dos homens válidos que não trabalham, dos felizes que abandonam os infortunados…

O interlocutor sensível nada mais ouviu.

Cérebro turbilhão desmaiou, ali mesmo, diante da assembléia intrigada, sendo imediatamente substituído, e, febril, delirou alguns dias, prisioneiro de visões que ninguém entendeu.

Quando se levantou da incompreendida enfermidade vestiu-se com a túnica da pobreza, trabalhando incessantemente na caridade, até ao fim de seus dias.

Os adoradores do templo, entretanto, continuaram agradecendo os troféus de sangue, ouro e mentira, diante do mesmo altar e afirmaram que Vicente de Paulo havia enlouquecido.

Homossexualidade

O Rico Arrependido – André Luiz Gadelha

O RICO ARREPENDIDO

– Não dá, Allan. Você não pretender crescer. Desculpe-me, mas não quero isso para mim.

Essas foram as últimas palavras de Catarina ao, agora, ex namorado Allan.

Allan, então com 26 anos, não pretendia sair da casa dos pais. Não era má pessoa, porem não tinha grandes planos para a sua existência.

Durante a sua vida escolar, se não fosse a intensa e incansável presença dos pais, Allan não terminaria, nem mesmo, os estudos básicos. Com muito esforço, obteve o diploma de ensino médio, em colégio de poucas cobranças. Negou-se a fazer um curso técnico e, muito menos, um de nível superior.

Com a lida no trabalho, Allan era disciplinado e dedicado, mas negava qualquer chance de crescimento, sempre dedicando-se aos labores mais simples, ainda que tivesse condições de aproveitar chances melhores.

– Do jeito que está, está bom. Mais? Para quê? Já ganho meu dinheirinho e pronto. – argumentava Allan.

Mas, nem sempre foi assim.

Voltando em pouco mais de uma centena de anos no tempo, vamos encontrar Ernesto.

Ao lado do pai, aprendeu, desde cedo, a lidar com a terra, fonte do sustento de toda a família.

Com o tempo, sempre ao lado do pai, as negociações com o café foram se desenvolvendo, levando a simples casa do início a uma enorme e belíssima fazenda.

Mais tarde, quando as forças somáticas do genitor se esgotaram, Ernesto assume o império já existente.

Em nome de perpetuar o conforto da família e de honrar o esforço do pai, Ernesto faz os ganhos crescerem.

Driblou crises, fechou grandes negociações, inclusive com o estrangeiro e chegou a se tornar um dos maiores fornecedores de produtos agrícolas do governo, até que chegou a sua vez de ter as forças exauridas.

No mundo espiritual, Ernesto conheceu, por um bom tempo, somente, a dor.

Testemunhou a briga entre os parentes sedentos pela fortuna deixada. Nem, sequer, esperou-se o corpo esfriar, havendo o início das contendas gananciosas antes do 7º dia.

Dos filhos, nenhum se interessou por continuar o seu trabalho, que foi deixado em mãos de desonesto administrador.

As gastanças dos parentes somadas às ações de desvio administrativo culminaram na total lapidação da fortuna, deixando a família em necessidades.

Tudo isso fez com que Ernesto, na pátria espiritual, experimentasse fortes dissabores, permanecendo, por anos, mergulhado no fel da mágoa.

– Para quê tanto trabalho? Para quê juntar riquezas? Para isso? – Indagava Ernesto de forma melancólica.

Um dia, entregando-se em prece sincera, Ernesto rogou por auxílio, pois estava cansado de sofrimento. Foi, então, socorrido e levado à colônia onde recebeu auxílio, reequilíbrio e orientação.

Lá trabalhou, sendo útil aos propósitos do Alto, até que lhe foi dada a oportunidade de voltar à Terra, em novo corpo, para fazer diferente do que fez no passado.

Foi quando reencarnou como Allan, ainda tão marcado pelos traumas do passado a ponto de não pretender crescer.

Que Jesus continue nos abençoando.

Rio de Janeiro, 16 de Fevereiro de 2017

Agradecimentos esquecidos

AGRADECIMENTOS ESQUECIDOS

Pelo Espírito André Luiz. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Fé. Lição nº 20. Página 70.

Sempre ágeis e satisfeitos para manifestar a nossa gratidão pelas alegrias com que somos favorecidos, saibamos cultivar os agradecimentos, habitualmente esquecidos, ante os contratempos que nos esclarecem, tais quais sejam:

– O parente irritadiço que nos impele a praticar tolerância e paciência;

– O constrangimento orgânico, induzindo-nos a preservar os valores da saúde possível;

– O prejuízo que nos amplia o discernimento;

– O amigo que nos abandona, obrigando-nos a intensificar a confiança em nós mesmos;

– O desengano em assuntos afetivos que nos leva a compreender os erros dos outros e a desculpá-los;

– A petição sonegada, impulsionando-nos ao exercício da humildade e da persistência;

– O problema que nos desafia, ensinando-nos a arte de pensar com decisão e segurança.

Decididos a agradecer todas as ocorrências do cotidiano que se expressam na base do“a favor,” lembremo-nos dos benefícios que a vida nos oferta nos acontecimentos considerados do “contra.”

O motor realmente assegura a movimentação do carro, nessa ou naquela direção, mas o freio é que nos evita o desastre.

Perante Jesus

PERANTE JESUS

Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Palavras de Vida Eterna. Lição nº 12. Página 37.

“Porventura sou eu, Senhor?” Mateus, 26:22.

Diante da palavra do Mestre, reportando-se ao espírito de leviandade e defecção que o cercava, os discípulos perguntaram afoitos:

– “Porventura sou eu, Senhor?”

E quase todos nós, analisando o gesto de Judas, incriminamo-lo em pensamento.

Por que teria tido a coragem de vender o Divino Amigo por trinta moedas?

Entretanto, bastará um exame mais profundo em nós mesmos, a fim de que vejamos nossa própria negação à frente do Cristo.

Judas teria cedido à paixão política dominante, enganado pelas insinuações de grupos famintos de libertação do jugo romano… Teria imaginado que Jesus, no Sinédrio, avocaria a posição de emancipador da sua Terra e da sua gente, exibindo incontestável triunfo humano…

E, apenas depois da desilusão dolorosa e terrível, teria assimilado toda a verdade!…

Mas nós?

Em quantas existências e situações tê-lo-emos vendido no altar do próprio coração, ao preço mesquinho de nosso desvairamento individual?

– Nos prélios da vaidade e do orgulho…

– Nas exigências do prazer egoísta…

– Na tirania da opinião…

– Na crueldade confessa…

– Na caça da fortuna material…

– Na rebeldia destruidora…

– No olvido de nossos deveres…

– No aviltamento de nosso próprio trabalho…

Na edificação íntima do Reino de Deus, meditemos nossos erros conscientes ou não, definindo nossas responsabilidades e débitos para com a vida, para com a Natureza e para com os semelhantes e, em todos os assuntos que se refiram à deserção perante o Cristo, teremos bastante força para desculpar as faltas do próximo, perguntando, com sinceridade, no âmago do coração:

– “Porventura existirá alguém mais ingrato para contigo do que eu, Senhor?”

Convite à felicidade

23 – CONVITE À FELICIDADE

“O meu reino não é deste mundo.”

(João: capítulo 18º, versículo 36.)

Desnecessária a fortuna a fim de frui-la.

Secundária a juventude de modo a gozá-la.

Dispensável o poder para experimentá-la.

A felicidade independe dos valores externos, sempre transitórios, sem maior significação, além daquela que se lhes atribuem quando na velhice, o homem repassa as evocações, os sucessos e lamenta a juventude vencida.

Na enfermidade, considera os tesouros da saúde e sofre-lhe a ausência.

Diante da constrição da pobreza lembra as dádivas das moedas e experimenta amargura por não as possuir.

Sob condições de dependência, padece não ser forte no mundo dos negócios ou da política, deixando-se afligir desnecessariamente.

Acicatado por problemas morais, angustia-se ao verificar o júbilo alheio daqueles que transitam guindados a situações de destaque ou exibindo sorrisos de tranquilidade.

Isto por ignorar o testemunho de aflição que cada um deve doar no panorama da evolução inadiável, de que ninguém se pode eximir.

Felicidade é construção demorada, que se realiza interiormente a tributo de laboriosa ação sacrificial.

Sem características externas, a seu turno, quando invade o ser, exterioriza-se qual luz brilhante aprisionada em redoma de delicado cristal…

Mesmo quando o homem consegue adicionar a juventude, o poder, a fortuna e a saúde aparente a felicidade não está implicitamente com ele.

Por essa razão, lecionou Jesus que o Seu Reino não é deste mundo, como a corroborar que a felicidade não pode ser encontrada na Terra, por ser ainda o Orbe o domicílio expiatório e de provações onde todos forjamos a felicidade real, que virá só futuramente.

Realiza o teu quinhão de dever com devotamento e faze sempre o melhor a fim de que o aplauso da consciência tranquila te conduza ao pórtico da felicidade real.

Não te exasperes face à desdita aparente. Nem te apegues ao júbilo momentâneo também ilusório.

De tudo e todos os estados retira o proveito da aprendizagem e, assim fazendo, a pouco e pouco perceberás que a felicidade é consequência da autoiluminação libertadora, como decorrência do amor exercido em plenitude fraternal.

Convites da Vida. Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis

Convite á fidelidade

24 – CONVITE À FIDELIDADE

“Mas o fruto do Espírito são a caridade, o gozo, a paz, a longanimidade,

a benignidade, a bondade, a fidelidade.”

(Gálatas: capítulo 5º, versículo 22.)

Ao sabor das emoções mudam de opiniões aqueles que não possuem forças morais capazes de se fixarem nos ideais de enobrecimento.

Irrefletidos, aderem às ideias em voga sem mais acentuado esforço de exame, de penetração, de amadurecimento. Sob estímulos novos, abandonam convicções e atitudes, transferindo-se mui facilmente de comboio, com preferência por aquele onde governa a insensatez.

Insatisfeitos aqui e ali em qualquer lugar, são instáveis emocionalmente.

Fidelidade! — eis o que escasseia nos diversos labores humanos.

Os ideais de elevação são sempre resistentes às transições e mutações dos homens, tempos e circunstâncias.

Daí se conhecerem os verdadeiros homens através da resistência com que sustentam os ideais, perseverando leais aos postulados abraçados, mesmo quando outros os abandonaram.

Indubitavelmente, desde que maiores e mais amplos esclarecimentos são conseguidos, pode o homem discernir com melhor acerto, sendo motivado a novos investimentos como a novas buscas.

Fundamentado na razão filtra as ideias do passado, renova-as, e desde que constate não resistirem ao escopro da lógica ou ao bisturi do bom-senso, estriba-se em conceitos outros, melhor urdidos e mais apropriados com que avança nos rumos do amanhã.

Ninguém pode viver realmente sem o estímulo e a sustentação de ideais superiores.

São eles o dínamo que vitaliza o progresso, a alavanca bem montada que impulsiona o ser e o mantém.

Antes que ruíssem impérios e civilizações, que tombassem vitimados pela leviandade e arbitrariedade os grandes homens, os ideais que os mantinham e estimulavam foram desprezados…

À medida que a volúpia desta ou daquela natureza, estruge no espírito invigilante e o domina, as fileiras dos lidadores das causas humanitárias se desfalcam.

Uns desertam por cansaço, dizem.

Outros fogem por saturação, explicam.

Diversos abandonam por falta de tempo, elucidam.

Alguns mudam para examinarem outros objetivos, justificam-se…

Sê fiel tu.

Abrasado pela fé, nas hostes espiritistas em que te encontras, ama, serve, passa, fiel a ti mesmo e a Causa, seja qual for o tributo que te vejas forçado pagar, devotado e leal até o fim.

Convites da Vida. Divaldo P Franco por Joanna de Ângelis

Convite á fraternidade

25 – CONVITE À FRATERNIDADE

“Ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo do médio,

mas no velador.”

(Mateus: capítulo 5º, versículo 15.)

Abençoado pela oportunidade de progredir em regime de liberdade relativa, no corpo que te serve de esteio para a evolução, considera a situação dos que foram colhidos pelas malhas da criminalidade e expungem em regime carcerário os erros, à margem da sociedade, a benefício deles mesmos e da comunidade.

Visitá-los constitui dever impostergável.

Não é necessário que sindiques as razões que os retêm entre as grades ou no campo aberto das colônias agrícolas correcionais ou que te inquietes em face aos dramas que os sobrecarregam.

Há sim, alguns que são criminosos impenitentes, reincidentes, sem coração… Doentes, portanto, psicopatas infelizes ou obsidiados atormentados, sem dúvida…

Outros, no entanto…

Mães que não suportaram os incessantes maus-tratos de companheiros degenerados;

Irmãos avassalados pelo que consideravam injustiças terríveis e não tiveram energias para superar o momento crítico;

Operários espezinhados que não dispunham de forças para vencer a crise;

Patrões ludibriados que tomaram a justiça nas mãos;

Jovens viciados por este ou aquele fator desequilibrante, que agiram atados sob a constrição de drogas ou paixões;

Homens e mulheres probos que foram surpreendidos pela infelicidade num momento de fraqueza;

Adolescentes ou anciãos que foram levados ao furto pela fome.

Quantas crianças, também, em Reformatórios, Escolas corretivas, porque não tiveram um pouco de carinho e desde cedo somente receberam reproche e desprezo social!

Podes fazer algo.

Tens muito para dar, especialmente no que diz respeito a valores morais e espirituais.

Confraterniza com eles e acende nas suas almas a flama do ideal imortalista, para que encontrem mesmo aí onde sofrem um norte que lhes constitua bússola e rota na imensa noite do desespero que sempre irrompe nas celas em que se demoram enjaulados por fora ou encarcerados por dentro.

Constatarás que ajudá-los é ajudar-se e ser fraterno para com eles é libertar-se de várias constrições que te inquietam, pondo a luz da tua fé no velador da fraternidade.

FRANCO, Divaldo Pereira. Convites da Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Convite à Gratidão

26 – CONVITE À GRATIDÃO

“Bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos insultam.”

(Lucas: capítulo 6º, versículo 28.)

Por temperamento te retrais em muitas circunstâncias, quando deverias e poderias exteriorizar os sentimentos que portas.

Supões que todos marcham guindados à alegria, tão jubilosos se manifestam, que evitas traduzir os tesouros da boa palavra e da gentileza que se vão enferrujando por desuso nos cofres do teu coração.

Recebes dádivas, fruis oportunidades, recolhes bênçãos, acumulas favores, arrolas benefícios e somente uma formal expressão já desgastada de reconhecimento te escapa dos lábios.

Justificas-te no pressuposto de que retribuíste com a necessária remuneração, nada mais podendo ou devendo fazer.

Não há, porém, moeda que recompense uma noite de assistência carinhosa à cabeceira do leito de um enfermo.

É sempre pálido o pagamento material, passado o sacrifício de quem se nos dedicou em forças e carinho.

Mas o gesto de ternura, a palavra cálida, a atenção gentil, o sorriso expressivo de afeto espontâneo são valores-gratidão que não nos cabe

desconsiderar ou esquecer.

Em muitos profissionais deste ou daquele mister esfria-se a dedicação, substituída por uma cortesia estudada e sem vida, em consequência da ingratidão constante dos beneficiários das suas mãos e das suas atenções.

Acostumaram-se a ver no cliente de tal ou qual procedência apenas um outro a mais e se desvincularam afetivamente, por não receberem o calor humano do sentimento da gratidão.

Gratidão, como amor, é também dever que não apenas aquece quem recebe, como reconforta quem oferece.

A pétala de rosa espalhando perfume ignora a emoção e a alegria que propicia.

Doa a tua expressão de reconhecimento junto aos que se tornaram frios e o teu amor aquece-los-á.

Batendo-se-lhes às portas da afetividade, por gratidão, elas se abrirão para que a paz que ofereças reine em derredor deles e de ti mesmo, porquanto a regra excelsa é bendizer até aqueles que nos maldizem, orando por quantos nos insultam.

Convites da Vida. Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis