A PARTIDA (EVANG. INFANTIL)

A Partida

Eulália trabalhava em casa de Marcos havia vários anos. Desde que fora de Minas para o Rio de Janeiro, se empregara com D. Cândida, ajudando-a a cuidar da casa e da família.
Eulália era muito querida de todos, pois era gentil, prestativa, carinhosa. Então com Marcos, ela se desdobrava, pois a embalara desde o nascimento. Ele agora estava com nove anos, e continuava a ser o
seu xodó.
Naquela tarde, chegando da escola, esfaimado, Marcos correu até a cozinha para pegar uns biscoitos. Eulália estava lavando umas vasilhas, e não o beijou, como sempre fazia. Marcos ficou surpreso, e, reparando em Eulália, lhe pareceu que ela estivesse chorando.
- Lalinha (era assim que ele a chamava), você está chorando? – perguntou o garoto.
- Não, Marquinhos, não é nada não… Isso vai passar…
- Se vai passar, é porque é alguma coisa… Por que não conta para mim?
- É que eu recebi um telefonema hoje, lá da minha cidade. A tia Neuza falou que o Tio Zé faleceu ontem. Eu fiquei tão triste… Tanto que eu gostava dele, e não pude fazer nada para ajudá-lo. Nem ao enterro vai dar para ir, pois não chegaria a tempo…
Marcos ficou com muita pena de Eulália. Afinal, ela deveria estar mesmo sentindo uma grande tristeza, porque várias vezes contara a ele histórias do tio Zé, que fora como um segundo pai para ela.

Marcos abraçou Eulália, enquanto pensava no que poderia fazer para consolar a amiga querida.
Foi então que se lembrou de uma aula que tivera na EEE (Marcos era espírita, como nós), quando foi estudada a desencarnação; havia guardado até umas figuras que foram apresentadas. Marcos foi até o
quarto, pegou as gravuras na gaveta, e chamou Eulália:
- Lalinha, venha cá ver uma coisa.
Enquanto Eulália se assentava a seu lado, na cama, Marcos, com carinho e mostrando ter bem aprendido a lição na EEE, pôs-se a mostrar as gravuras, enquanto dizia coisas que nós sabemos, como:

- quando desencarnamos, é como se nascêssemos no Mundo Espiritual; assim como se corta o cordão umbilical do bebê, quando nasce, a morte do corpo físico significa que o cordão que o ligava ao Espírito foi rompido, e este se liberta para o Mundo Espiritual;
- no momento da desencarnação, e em um tempo que varia de pessoa a pessoa, o Espírito está inconsciente e meio confuso, fragilizado. Por isso ele estará sendo ajudado por outros Espíritos amigos, que seriam como o médico, o enfermeiro, os parentes, etc.;
- a gente pode ajudar os recém-desencarnados, pensando neles com pensamentos de paz, de esperança, para que se sintam mais seguros. A prece em seu favor os auxiliará bastante;
- muitas pessoas que não sabem como ocorre a desencarnação, e como fica o Espírito, não respeitam os velórios, não aproveitam a ocasião para orar, perdendo a chance de ajudar o amigo que parte para uma nova vida…
- Puxa, Marquinhos – falou Eulália – como é bom ouvir isto que você está dizendo! … Quer dizer que eu posso ajudar o tio Zé, mesmo estando longe e ele já ter desencarnado?
- Claro, Lalinha!
- Então você me ajuda a fazer uma prece por ele?
- De todo o coração, Lalinha – respondeu o garoto.
E ali, puseram-se a orar, com muito sentimento, rogando a Jesus amparasse o tio Zé em sua nova vida.

E certamente aqueles pensamentos de amor e paz alcançaram o destino, servindo para auxiliar o recém-desencarnado a se equilibrar na continuidade da vida!

(História e figuras: AME-JF/MG)