Suicídio Nunca !

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O Irmão Chico Xavier fala sobre Suicídio e Doenças Congênitas no programa Pinga Fogo em 1971

Suicídio

Sérgio Biagi Gregório

RESUMO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico. 4. Causas do Suicídio: 4.1. Perspectiva Biológica; 4.2. Teorias Psicológicas; 4.3. Sentido Sociológico. 5. Estatística. 6. Centros de Prevenção. 7. Doutrina Espírita: 7.1. Anotações Extraídas das Obras Básicas de Allan Kardec; 7.2. Anotações Extraídas das Obras Complementares; 7.3. Reflexões Baseadas nos Pressupostos Espíritas. 8. Conclusões. 9. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

Quais são as causas que nos levam a tentar o suicídio? Por que um indivíduo apodera-se da direção de um avião e se transforma num homem-bomba? Tem o homem o direito de tirar a sua própria vida? Por que? Quais as conseqüências deste ato fatal na vida humana? Estas são, entre muitas outras, questões vitais para o entendimento do problema do suicídio. O nosso objetivo é analisar o tema segundo os pressupostos espíritas.

2. CONCEITO

Dado que o suicídio afeta todos os aspectos da vida humana, ele deve ser estudado levando-se em conta os componentes físicos, sociais, mentais etc. e que, em conseqüência, obedece a uma causação múltipla. A cada um desses componentes corresponde um ângulo de análise, e a cada ângulo, uma definição patológica, sociológica, moral, filosófica etc. Estas não devem ser necessariamente contraditórias, mas complementares. (Silva, 1986)

De um modo geral, define-se suicídio como a ação pela qual alguém põe intencionalmente termo à própria vida. É um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas.

Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, e pode ser entendido não somente no ato voluntário que produz a morte instantânea, mas em tudo quanto se faça conscientemente para apressar a extinção das forças vitais. Importa numa transgressão da Lei Divina. É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador. (Equipe da FEB, 1997)

3. HISTÓRICO

Percorrendo a história da humanidade, notamos que na Antigüidade os hebreus foram os que menos cometeram o suicídio. As Escrituras registram apenas o suicídio de Abimileque, de Saúl, de Aquitofel, de Zambri e pouco mais.

Nos povos orientais, o suicídio é um fato vulgar e normal. Os japoneses adotam o haraquiri, ritual de suicídio usando a espada. São famosos os camicases, pilotos japoneses, membros de um corpo de voluntários que no fim da 2.ª Guerra Mundial, treinados para desfecharem um ataque suicida contra objetivos inimigos, especialmente navios. Na Índia não se contam os suicídios senão aos milhares.

Na história do Egito, tornou-se célebre o suicídio de Cleóprata.

Em Cartago eram também freqüentes os suicídios. Amílcar matou-se humilhado por uma derrota e Aníbal suicidou-se para não cair nas mãos dos seus inimigos. Códio, rei de Atenas, matou-se para livrar o seu país dos horrores da guerra.

Na Idade Média, período caracterizado por uma maciça dominação religiosa, o suicídio diminuiu, pois quem o cometesse não recebia as bênçãos da Igreja. Na renascença, período de maior liberdade religiosa, o suicídio recrudesceu e continua até nos dias atuais, principalmente explicados pelos problemas causados pela Revolução Industrial e pelo Capitalismo nascente, os quais diminuíram os apelos à Religião. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

4. CAUSAS DO SUICÍDIO

As causas do suicídio são numerosas e complexas. Elas são geralmente analisadas sob três aspectos:

4.1. PERSPECTIVA BIOLÓGICA

Pesquisas indicam que o comportamento suicida acontece em famílias, sugerindo que fatores biológicos e genéticos desempenham papel de risco. Algumas pessoas nascem com certas desordens psiquiátricas tal como a esquizofrenia e o alcoolismo, o que aumenta o risco de suicídio.

4.2. TEORIAS PSICOLÓGICAS

Em princípio o suicídio é comparado por muitos psicológicos com os casos de neurose.

Os determinantes do suicídio patológico estão nas perturbações mentais, depressões graves, melancolias, desequilíbrios emocionais, obsessões, delírios crônicos,

O psiquiatra americano Karl Menninger elaborou sua teoria baseando-se nas idéias de Freud. Ele sugeriu que todos os suicidas tem três dimensões inconscientes e interrelacionadas: vingança/ódio (desejo de matar); depressão/desespero (desejo de morrer); culpa/pecado (desejo de ser morto).

4.3. SENTIDO SOCIOLÓGICO

Socialmente o suicídio é um ato que se produz no marco de situações anômicas (desorganizadas) em que os indivíduos se vêem forçados a tirar a própria vida para evitar conflitos ou tensões inter-humanas, para eles insuportáveis. Para Émile Durkheim, a causa do suicídio só pode ser sociológica. Em seu estudo caracterizou três tipos de suicidas:
a) suicida egoísta. A pessoa se mata para não sofrer mais;
b) suicida altruísta. A pessoa se mata para não dar trabalho aos outros (geralmente pessoas de idade);
c) suicida anômico. A pessoa se mata por causa dos desequilíbrios de ordem econômica e social. Exemplo: a Revolução Industrial, tirando empregos de algumas pessoas, estimulou-lhes o suicídio. (Enciclopédia Encarta)

5. ESTATÍSTICA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou em 1 milhão o número de suicídios em 2000. De acordo com a organização, a média anual de suicídios no mundo passou de 10,1 a cada 100.000 habitantes, em 1950, para 16 casos no mesmo universo de pessoas em 1995, o que corresponde a um aumento de 60%.

Países do Leste Europeu são os recordistas em média de suicídio por 100.000 habitantes. A Lituânia (41,9), Estônia (40,1), Rússia (37,6), Letônia (33,9) e Hungria (32,9). Guatemala, Filipinas e Albânia estão no lado oposto, com a menor taxa, variando entre 0,5 e 2. Os demais estão na faixa de 10 a 16.

Em números absolutos, porém, a China lidera as estatísticas. Foram 195 mil suicídios no ano de 2000, seguido pela Índia com 87 mil, a Rússia com 52,5 mil, os Estados Unidos com 31 mil, o Japão com 20 mil e a Alemanha com 12,5 mil. (Folha de São Paulo, 05/07/2000, p. a11).

Resumindo: na Ásia e Oriente a taxa de suicídio por 100.000 habitantes é mais do que 16, na América do Norte situa-se entre 8 e 16, na América do Sul apresenta-se com menos de 8 e na África não há dados disponíveis.

Gertner calcula que por cada suicídio completado há 10 tentativas. Os homens tendem a se suicidar de modo violento; as mulheres de modo suave e em menor proporção.

Observação: há que se tomar cuidado na comparação estatística entre nações, porque nem todos têm o mesmo conceito do que seja morrer por suicídio.

6. CENTROS DE PREVENÇÃO

O Reverendo Chad Varah, de 89 anos, é o criador do serviço de prevenção ao suicídio. Samaritanos é o nome britânico da ONG cuja similar brasileira funciona desde o início dos anos 60 como CVV, Centro de Valorização da Vida.

Pastor anglicano, Chad Varah começou seu trabalho em 1936, quando foi chamado para oficiar o funeral de uma menina de 14 anos. A garota havia se suicidado ao ficar menstruada pela primeira vez. Desesperada, pensou que havia contraído uma doença. Esse episódio chocou de tal maneira o jovem reverendo que ele resolveu dar aulas de educação sexual para jovens. Descobriu depois, numa notícia de jornal, que três pessoas se suicidavam a cada dia em Londres. Foi assim que, em 1953, numa pequena sala munida de telefone na Igreja de St. Stephen, no centro londrino, ele fundou os Samaritanos. (Folha de São Paulo, 24/06/2001, p. A 19)

Atualmente há muitos Centros como esses, inclusive com endereço na Internet. No Brasil, além do CVV, há também o Socorro Emocional, que do mesmo modo que o CVV, segue os preceitos do psicólogo norte-americano Carl Rogers (1902-1987), cuja tese é a de que todo o ser humano tem potencial suficiente para encontrar saídas para o seu próprio problema.

7. DOUTRINA ESPÍRITA

7.1. ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DAS OBRAS BÁSICAS DE ALLAN KARDEC

Em O Livro dos Espíritos, nas perguntas 943 a 957, Allan Kardec discute o tema apontando as causas e as conseqüências deste ato sinistro. Diz-nos que o desgosto pela vida é efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da saciedade. Para aqueles que exercem as suas faculdades com um fim útil e segundo as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido a vida se escoa mais rapidamente. Os Espíritos nos advertem que quando cometemos o suicídio responderemos como por um criminoso. Acrescenta ainda que “aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má, prova que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque vai entrar na vida espiritual carregado de suas iniquidades, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida. Deus é muitas vezes menos inexorável que os homens: perdoa o arrependimento sincero e leva me conta o nosso esforço de reparação; mas o suicídio nada repara”.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo V – Bem-Aventurados os Aflitos, analisa o suicídio juntamente com a loucura, e nos diz que “a calma e a resignação, hauridas na maneira de encarar a vida terrestre, e na fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio”. A leitura atenta deste capítulo do Evangelho seria um preservativo para todos os males da humanidade, pois não só nos explica os meios de nos livrarmos da pena como também nos alerta para o bem e o mal sofrer, sobre a melancolia etc.

Em O Céu e o Inferno, no capítulo V, há relatos dos próprios suicidas sobre o seu estado infeliz na erraticidade. Verificando cada um deles, vamos observar que, embora o sofrimento seja temporário, nem por isso deixa de ser difícil, pois o remorso parece não ter fim.

7.2. ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DAS OBRAS COMPLEMENTARES

No livro Memórias de um Suicida, fala-se do vale dos suicidas, ou seja, o lugar para onde vão as almas daqueles que cometeram o suicídio. Por que vale? É um lugar que tem um desnível com relação ao plano? Dá-se a impressão que todos os que cometem o suicídio vão para esse lugar de sofrimento atroz, em que figuras dantescas aparecem a todo o momento, e o indivíduo que cometeu o suicídio fica sentindo os germes comerem o seus restos mortais.

Em Mecanismos da Mediunidade, o Espírito André Luiz, ao discutir sobre a ideoplastia do pensamento, fornece-nos elementos para a nossa reflexão sobre este tema. Se muitos ficam pensando no suicídio, eles criam um campo mental, uma espécie de aura de formas- pensamentos, e se um Espírito menos avisado entrar nessa faixa vibratória, ele poderá ser induzida ao cometer este ato. Por isso, precisamos tomar cuidado com o teor energético do nosso pensamento, pois uma vez emitido ele criará as forças desencadeantes para a ação.

7.3. REFLEXÕES BASEADAS NOS PRESSUPOSTOS ESPÍRITAS

1. Continuar Vivo. Um dos grandes embaraços de quem comete o suicídio, pensando que teria dado cabo da vida, é a surpresa de que continua vivo. Nesse sentido, de que vale tirar-nos a vida, se continuamos a existir?

2. Atenuantes e Agravantes. Não temos o hábito de relacionar a parte e o todo e podemos cair no erro da absolutização do relativo. É o caso de estigmatizar todos os Espíritos que cometeram suicídio, colocando-os num mesmo grau de sofrimento e punição. Há que se considerar a influência que receberam dos outros, os seus estados mentais etc. Será que nós, com o nosso modo impensado de agir, não os induzimos involuntariamente? Será que a sociedade, pelo seu descaso, não deixou de auxiliá-los, quando podia fazê-lo?

3. O Espírita tem de opor-se à idéia do suicídio. A certeza da vida futura lhe dá condições de saber que será menos ou mais feliz de acordo com a resignação com que tiver suportado os sofrimentos aqui na Terra.

4. Suicídio inconsciente. O relato do Espírito André Luiz, quando estava no umbral – e ouvia chamá-lo de suicida -, é marcante, pois mesmo não o tendo cometido voluntariamente, dissipou desordenadamente as suas energias físicas e mentais. No campo mental, a cólera, a falta de autodomínio e inadvertência no trato com os semelhantes; no campo físico, o aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas.

5. Orar e vigiar. Nunca se deve dar tanta atenção a este dispositivo da mente. Há muitos momentos de angústia, de solidão, mas temos que passar por cima como um trator que vai moendo tudo o que lhe vem de encontro. Utilizando-nos da prece e da vigilância, podemos aliviar muitos desses males do pensamento.

8. CONCLUSÕES

Enfrentemos a nossa vida, pois não podemos ter outra. Lembremo-nos de que o problema pode não ser tão grave quanto a nossa imaginação o pinta. Quem sabe se esperarmos um pouco mais, exercitando a paciência e a resignação, a dificuldade não toma outro rumo, a doença não recebe o remédio correto, o desgosto não tem o consolo necessário? Depositemos a nossa confiança inteiramente em Deus. Ele sabe o momento oportuno de nos tirar do embaraço.

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.
KARDEC, A. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. 22 ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
XAVIER, F. C. Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 8. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.
Enciclopédia Encarta. http://encarta.msn.com
SILVA, B. (coord.) Dicionário de Ciências Sociais. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, 1986.

São Paulo, novembro de 2001

Retirado do site http://www.ceismael.com.br/artigo/suicidio-e-espiritismo.htm

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