Alma da Terra – Redação da Revista Internacional de Espiritismo

Pela alma da Terra pode entender-se a coletividade dos Espíritos encarregados da elaboração e da direção de seus elementos constitutivos; ou, melhor ainda, o Espírito ao qual é confiada a alta direção dos destinos morais e do progresso de seus habitantes, missão que não pode ser entregue senão a um ser eminentemente superior em saber e em sabedoria.
Neste caso, não é, a bem dizer, a alma da Terra, porque esse Espírito nela não está encarnado nem subordinado ao seu estado material.
É um chefe, preposto à sua direção, como um general é preposto à condição de um exército.
Um Espírito, encarregado de tão importante missão, qual a governança de um mundo, não poderia ter caprichos, ou Deus seria muito imprevidente para confiar a execução de seus desígnios soberanos a seres incapazes de os levar ao fracasso, por sua má vontade. (R.E., set/1868, “Alma da Terra”)(1)
A Terra não tem alma, que lhe pertença propriamente, porque não é um ser organizado, como os que são dotados de vida, tem-nos, aos milhões, que são os Espíritos encarregados de seu equilíbrio, de sua harmonia, de sua vegetação, de seu calor, de sua luz, das estações, da encarnação dos animais, que superintendem, assim como a dos homens. Isto não quer dizer que tais Espíritos sejam a causa desses fenômenos: eles os presidem, como os funcionários de um governo presidem a cada uma das engrenagens da administração.
A Terra progrediu à medida que se formou; progride sempre, sem jamais se deter, até o momento em que tiver atingido o máximo de sua perfeição. Tudo o que nela é vida e matéria progride ao mesmo tempo porque, à medida que se realiza o progresso, os Espíritos encarregados de velar por ela e seus produtos, progridem por seu lado, pelo trabalho que lhes incumbe, ou cedem lugar a Espíritos mais adiantados. Nesse momento ela chega a uma transição do mal ao bem, do medíocre ao belo.
Deus, criador, é a alma do universo, de todos os mundos que gravitam ao infinito, e os Espíritos encarregados, em cada mundo, da execução de suas leis, são agentes de sua vontade, sob a direção de um delegado superior. Esse delegado pertence, necessariamente, à ordem dos Espíritos mais elevados, porque seria injúria à sabedoria divina crer que ela abandonasse à fantasia de uma criatura imperfeita o cuidado de velar pela realização do destino de milhões de suas próprias criaturas. (R.E., set/1868, “Alma da Terra”)(1)
É a coletividade de todas essas inteligências, encarnadas e desencarnadas, inclusive o delegado superior, que constitui, a bem dizer, a alma da Terra, da qual cada um de vós faz parte. Encarnados e desencarnados são as abelhas que trabalham na edificação da colmeia, soba a direção do Espírito-chefe. Esta é a cabeça, os outros, os braços.
Esse Espírito-chefe também pode encarnar, quando recebe a missão, o que ocorre quando sua presença entre os homens é necessária ao progresso. (R.E., set/1868, “Alma da Terra”)(1)
Os Espíritos sempre disseram que alguns entre eles têm atribuições especiais. Agentes e ministros de Deus dirigem, conforme o seu grau de elevação, os fatos de ordem física, bem como os de ordem moral. Assim como alguns velam pelos indivíduos, dos quais se constituem gênios familiares ou protetores, outros tomam sob o seu patrocínio reuniões de indivíduos, grupos, cidades, povos e, mesmo, mundos. A alma da Terra deve, pois, entender-se como Espírito chamado por sua missão de dirigi-la e fazê-la progredir, tendo sob suas ordens inumeráveis legiões de Espíritos encarregados de velar pela realização de seus desígnios. O Espírito diretor de um mundo deve ser, necessariamente, de uma ordem superior, e tanto mais elevado quanto mais adiantado for o mundo. (R.E., abr/1860, “Formação da Terra”)(1)
O governador espiritual da Terra é Jesus.

1. KARDEC, Allan. Revista Espírita.

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HUMANIZAR-SE

HUMANIZAR-SE

O que difere o ser humano dos outros seres?

Talvez alguns pensem que a pergunta carece de propósito, pois somos tão diferentes dos animais.

Porém, se perguntarmos a um biólogo, esse diria que, geneticamente, pouco nos diferenciamos de inúmeras espécies animais.

Segundo o filósofo alemão Immanuel Kant, o que nos distingue dos animais é a capacidade de nos educarmos, de nos tornarmos humanos.

Para ele, a nossa condição de humanos é adquirida, é conquistada pela educação.

Sem ela, diria Kant, estaríamos muito próximos dos animais.

Percebemos que, biologicamente, fisicamente, guardamos várias semelhanças às espécies animais que habitam o nosso planeta.

Porém, somos infinitamente diferentes deles, justamente porque não somos apenas um ser biológico.

Somos um ser espiritual, com a capacidade de nos educarmos, de alçar voos no rumo da humanização.

Educar é formar e transformar o homem, para que ele desenvolva todas as suas potencialidades e capacidades.

É pelo processo de educação que ganhamos sabedoria e angelitude.

Assim, à medida que investimos em nossa educação, não só intelectual, mas também moral, vamos progredindo, afastando-nos sempre mais da pura condição animal, cada vez mais humanos.

Não é raro encontrarmos pessoas com atitudes que se igualam, por vezes, a das espécies animais, pelo barbarismo, violência ou grosseria.

São almas onde o processo de educação ainda engatinha, ensaia os primeiros e vacilantes passos.

Outros apresentam grandes conquistas intelectuais, porém ainda com valores morais torpes e vis.

Esses desenvolveram sua humanidade em apenas um aspecto, esquecendo-se que também somos seres morais.

E há aqueles sábios em verdade, onde seus profundos conceitos e reflexões ganham coerência com atitudes nobres, pautadas no bem.

Esses são os que já deram passos largos rumo às potencialidades maiores da alma.

Considerando tudo isso, podemos pensar que nossa vida, nossa reencarnação é uma grande oportunidade de nos educarmos, de nos humanizarmos.

Todo o investimento que fizermos para desenvolver nosso intelecto, os estudos e conquistas acadêmicas, nos apoiam nesse sentido.

Porém, também são necessários esforços para adquirirmos e desenvolvermos valores morais.

Jesus, modelo e guia da Humanidade, tinha desenvoltura intelectual para travar diálogos de profundos significados com os mais sábios doutores.

E da mesma forma, a doçura de seu coração era capaz de curar as feridas da carne e as dores da alma de todos que o buscavam.

Por isso Ele é o grande modelo de homem integral para todos nós.

Não somente pleno de conhecimento e sabedoria, mas também sublime nos sentimentos.

Essas são as conquistas que nos aguardam, que esperam nossos esforços.

A larga estrada, que nos conduz, da simplicidade e ignorância até a angelitude e sabedoria.

Por Redação do Momento Espírita. Do site: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=4311&stat=0.

ESPERA POR DEUS

117 – ESPERA POR DEUS

“Mas o Pai que está em mim é quem faz as obras.” – Jesus

Saibamos buscar o Pensamento Divino, atuante em todas as formas da vida, trabalhando na construção do bem, mesmo que os quadros da luta humana se nos mostrem tisnados pela sombra do mal.
Observa a planta frágil, muita vez desfigurada pelo bote de insetos daninhos, ao surgir da semente. Parece uma excrescência no barro de que se envolve; entretanto, encerra consigo as potencialidades que a transformarão em árvore vigorosa.
Fita a criança recém-nata, em muitas circunstâncias tocada por enfermidade inquietante.
Vagindo nos braços maternos, mais se assemelha a pobre farrapo humano, guardado pela morte; todavia, traz na própria formação orgânica, aparentemente comprometida, a força que a transfigurará, talvez, num condutor de milhões de pessoas.
Não julgues o sofrimento por mal.
A tempestade carreia a higiene da atmosfera.
A doença do corpo é renovação do espírito.
Em todos os sucessos desagradáveis e em todas as condições adversas da existência, acalma-te e aguarda a intervenção da Infinita Bondade.
Disse Jesus: “Mas o Pai que está em mim é quem faz as obras”.
O criador está igualmente na Criação.
Diante do nevoeiro não condenes as trevas.
Acende a luz do serviço e espera por Deus.

(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Palavras de Vida Eterna)

Uma tarde todinha feita de compreensão,
todinha florida de felicidade,
todinha perfumada de amor,
pra vc e todos ao seu redor.
Abraços com carinho
Equipe CVDEE

CVDEE – Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
16 anos estudando e divulgando o Espiritismo
http://www.cvdee.org.br

Crenças e Orientações – Guilherme Frederico Knopak

Há pessoas que simplesmente não acreditam em Deus e ponto. E pensando bem dá mais trabalho acreditar do que apenas ignorar sua existência. O problema é que muitos imaginam que os ateus, pelo fato de não acreditarem em Deus, são pessoas destituídas de quaisquer valores morais e que sentem que tudo lhes é permitido. Grande engano! Existe uma série de ateus que defendem uma ética humanista pronta para defender e valorizar o ser humano. Além disso, há uma série de religiosos e crentes em Deus que agem por motivos completamente contrários às suas crenças, não deixando de se portar como pessoas completamente amorais ou imorais.
O que parece unir tanto religiosos quanto ateus é o fato de a grande maioria deles agir mais pelo comodismo do que por suas crenças, de modo que não há ateus muito niilistas ou religiosos muito convictos. Ambos não avaliam criticamente seus pressupostos e parecem agir da maneira que lhes é mais conveniente. Assim, não encontramos indivíduos dispostos a tudo fundamentados na verdade em que alcançaram, mas pessoas que se esconderam atrás de vidas medíocres para que não tenham muito que se preocupar com o real sentido de suas vidas. Arranjam o casamento mais simples, o emprego mais razoável e os hábitos mais comuns e condizentes com suas culturas. Não que haja algo muito errado nisso, pois todo ambiente proporciona muito aprendizado. O grande problema é que muitos se escondem nestas práticas diárias de modo a amortecer um sentimento interno espiritual que sempre nos provocaa evoluir e buscar o novo.

Versos e versões é um delicado trabalho musical realizado em comemoração aos 20 anos do CE Bênção de paz

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O estudo da glândula pineal na obra mediúnica de André Luiz – Entrevista com Jorge Cecílio Daher Júnior

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico.
Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula pineal: comparação entre as teorias fornecidas pelo Espiritismo na década de 1940 e as provas científicas atuais”), aceito em dezembro de 2013 e publicado em janeiro deste ano, exclusivamente em inglês, pela revista europeia Neuroendocrinology Letters. Para falar sobre essa importante pesquisa, entrevistamos um de seus coautores, Jorge Cecílio Daher Júnior, médico goiano formado em 1986, com residência em Medicina Interna e em Endocrinologia e Metabologia, médico da SES-GO e do Sanatório Espírita de Anápolis e professor da Faculdade de Medicina do Centro Universitário Anápolis. No meio espírita, tem participação ativa na Associação Médico-Espírita (AME), como secretário geral da AME-BRASIL, presidente da AME-Goiânia e colaborador da AME-Anápolis.

RIE – Como resumir, em poucas palavras, o que é a glândula pineal e qual a sua função?
Jorge Cecílio Daher Júnior –A glândula pineal, localizada no centro do cérebro, é um órgão endócrino de extrema importância por ser o centro regulador dos ajustes dos ritmos biológicos ao ciclo diário de 24 horas, ou ritmo circadiano, o que lhe garante a função de centro regulador cronobiológico.

RIE – De que período datam as primeiras pesquisas científicas sobre a glândula pineal? E quais os principais pesquisadores?
Daher – Se considerarmos as especulações filosóficas sobre a pineal, diríamos que o primeiro grande pesquisador da pineal foi René Descartes, que sugeriu que esse minúsculo órgão fosse o controlador das emoções e da regulação temporal. Durante muitos anos, mais especificamente durante o desenvolvimento da moderna Medicina a partir do século XIX, a pineal foi relegada a segundo plano. Na década de 1960, entretanto, em decorrência da descoberta em 1958, por Lerner e colaboradores, da melatonina (hormônio da pineal), a glândula pineal voltou à cena dos estudos médicos, aí incluídas suas correlações com a fisiologia humana. Desde a década de 1980, as pesquisas sobre a pineal têm alcançado destaque pelo volume de informações relevantes para o conhecimento da fisiologia do sono, da regulação metabólica e das correlações entre pineal e saúde mental. Destacam-se como grandes pesquisadores da pineal, nos últimos trinta anos, o Dr. Russel Reiter, da Universidade de San Antonio, no Texas (USA), Dr. Daniel Cardinali, da Universidade Católica de Buenos Aires (Argentina), e Dr. Pandi-Perumal, da Universidade de Toronto (Canadá).

RIE – Quais obras psicografadas por Chico Xavier foram analisadas e quais delas são as mais relevantes para o estudo?
Daher – No artigo publicado, todas as obras da série A Vida no Mundo Espiritual, pelo espírito André Luiz, foram analisadas, com destaque para a obra Missionários da Luz, que em pouco mais de 16 páginas forneceu volume imenso de informações para o objeto de pesquisa científica.

RIE – De que forma foi feita a comparação entre as citações encontradas na obra de Chico Xavier e a literatura científica?
Daher – Cada tópico informado por André Luiz foi analisado como um subject de pesquisa (isto é, tema principal), depois separado por tópicos. Esses tópicos foram inicialmente analisados no aspecto histórico, ou seja, foi realizada uma comparação com o que havia de conhecimento sobre cada tópico na literatura científica antes da publicação da obra de Chico Xavier. Isso nos permitiu perceber o que já era conhecimento científico, o que já havia sido especulado e o que poderia ser informação relevante trazida pela obra do médium. Em uma segunda etapa, cada um dos tópicos destacados foi analisado como termo de pesquisa nas principais bases de dados médicos e os resultados obtidos foram analisados de forma comparativa, ponderando as informações mediúnicas com o conhecimento científico obtido até os dias atuais.

RIE – A publicação fala sobre a descrição, nas obras de Chico Xavier, da interação da glândula pineal com saúde mental, sistema reprodutivo, sistema endócrino, conexão com o mundo espiritual, entre outros. Que conclusões podem ser tiradas do estudo em relação à saúde mental?
Daher – As especulações entre função da pineal e doenças mentais datam da Antiguidade. Nos séculos XVII e XVIII, a relação entre glândula pineal e doença mental foi incorporada ao conhecimento médico da época, e em 1920 foram publicados na literatura médica resultados de experimentos com extrato de pineal para tratamento da esquizofrenia. As informações obtidas pelo médium quando da publicação da obra, sobre saúde mental, não eram novidade para a Medicina, embora, àquela época, tais informações fossem tidas como superadas. Somente na década de 1990, com o auge da cronobiologia, a relação entre função da pineal e saúde mental foi estabelecida como conhecimento médico.

RIE – E sobre o sistema reprodutivo?
Daher – A relação entre glândula pineal e sistema reprodutivo já é mais antiga. A função do hormônio da pineal como frenador da puberdade data do início do século XX, com Huebner. O que se destaca nesse campo são as informações de André Luiz, em Missionários da Luz, sobre o papel da pineal na regulação dos aspectos emocionais envolvidos na relação sexual e sua ação decisiva sobre os cromossomas dos espermatozoides. Essas informações são de extrema relevância porque as evidências de que a pineal funciona como integradora dos sinais neuroendócrinos são da década de 2010. Sobre os cromossomas dos gametas masculinos, apenas na década de 1990 houve avanço no estudo e conhecimento do cromossoma Y e dos genes responsáveis pela determinação sexual masculina. Ainda mais recentemente, na década de 2000, foi publicada a relação entre melatonina e proteção gênica dos gametas masculinos.

RIE – E com relação à conexão com o mundo espiritual?
Daher – A correlação entre pineal e chacra coronal é da sabedoria védica e recua no tempo do conhecimento humano por quase 5 mil anos. A informação trazida por André Luiz é relevante por falar de fluxo energético e controle de todas as glândulas endócrinas através da pineal, durante a atividade mediúnica. Atualmente apenas estudos de neuroimagem correlacionam atividade da pineal com função transcendente, mas esses estudos sugerem que a informação de André Luiz pode ter correlação fisiológica relevante e merece ser investigada.

RIE – Grande parte dos temas abordados foi escrita na obra de Chico Xavier décadas antes de qualquer confirmação científica. Para a comunidade científica, existe a hipótese de justificar tal fato alegando coincidência ou imaginação do médium?
Daher – Em relação ao artigo publicado, ainda é muito cedo para colhermos qualquer opinião da comunidade científica na forma de refutação ou aceitação em publicações especializadas. Um artigo científico demora em média seis meses desde a submissão à publicação, porém podemos dizer que a receptividade do artigo foi excelente.

RIE – Alguma consideração final?
Daher – O mais relevante a ser considerado é que nas bases de dados médicos não havia nenhum trabalho científico sobre Chico Xavier e, desde a publicação do artigo, de autoria dos Drs. Giancarlo Lucchetti, Alessandra Lucchetti, Décio Iandoli, Juliana Gonçalves e minha (como segundo autor), o grande médium brasileiro foi inserido no PubMed(2), que é o mais relevante banco de dados médicos de todo o globo. O artigo em questão, aliás, traz como conclusão que a mediunidade é fonte relevante para obterem-se informações e, como tal, deve ser investigada.

1. A série foi publicada entre 1943 e 1968 e é composta pelas obras: Nosso Lar (1943), Os Mensageiros (1944), Missionários da Luz (1945), Obreiros da Vida Eterna (1946), No Mundo Maior (1947), Libertação (1949), Entre a Terra e o Céu (1954), Nos Domínios da Mediunidade (1954), Ação e Reação (1957), Evolução em Dois Mundos (1958), Mecanismos da Mediunidade (1959), Sexo e Destino (1963) e E a Vida Continua (1968).
2. O PubMed é um banco de dados público mantido pela Biblioteca Nacional de Saúde Americana (US National Library of Medicine – NLM) e abre acesso a cerca de 20 milhões de citações bibliográficas relativas a artigos da área médica desde meados da década de 1960. O banco de dados, em inglês, pode ser consultado pelo endereço http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed; a versão brasileira, que reúne apenas artigos em português, pode ser consultada pelo endereço http://www.netmed.com.br/pubmed.